Quando as redes sociais não servem para nada – por @midia8

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Um puta texto que eu li do senhor Cleyton Carlos Torres – lá do Blog Mídia8. Vale a pena conferir, folks =D

Observação: se você é daqueles que acham que as redes sociais estão acima de todas as outras coisas, um conselho: volte para o Facebook e não perca tempo lendo esse texto.

Tô sentindo falta de debates mais pesados, reflexivos, polêmicos ou até mesmo daquelas conversas filosóficas de bar. Boteco é coisa sagrada. É quando amigos se reúnem e conversam de um jeito mais informal sobre assuntos variados, que passam da vitória do Barcelona até como a internet está impactando – para melhor – a vida dos brasileiros.

Mas não falo de boteco. Sinto falta de debates nas redes sociais. É fácil encontrar ótimas questões vindas de cima para baixo, quando excelentes profissionais nos colocam diante de reflexões ímpares sobre o digital, principalmente no Brasil. Porém a questão é mais pra baixo. Cadê o debate construtivo entre os usuários?
Alguns bons sites, blogs, fóruns e grupos no Facebook procuram resgatar um lado mais reflexivo e menos mimimi sobre redes sociais, internet, web semântica, marketing digital ou inclusão digital. É bacana, mas é muito pouco. A questão é ser intelectual de boteco, onde todos, mesmo com opiniões totalmente contrárias, colocam na mesa pontos importantes e discutem, mesmo que de forma fervorosa, sobre eles, mas jamais sem perder a compostura.
Nas redes sociais há uma onda de que é permitido agredir desde que a maioria concorde. A garota ofendeu os nordestinos, mas no lugar de construírem um debate sobre o tema, a maioria optou por agredi-la de maneira tão deplorável quanto. A mulher matou um cachorrinho de estimação, mas em vez de ser erguido o debate sobre como deve ser a relação com quem agride animais, a maioria optou por ameaçá-la.
Todos os usuários fizeram isso? Óbvio que não. Tem gente que teve coragem e bateu de frente com esses movimentos, criticando-os, inclusive, pelo comodismo, já que a moda é debater um assunto conforme a quantidade de likes e compartilhamentos que uma imagem recebe. Já dizia a velha cabeça iluminada: “para que o perverso triunfe, basta que as pessoas de bem não façam nada”.
Redes sociais devem conter entretenimento, diversão, humor e, acima de tudo, diálogo. Ofender alguém que ofendeu alguém é como justificar violência com violência. É deplorável. É patético quando vemos determinados grupos da sociedade – mais preocupados com a temperatura do Danoninho do que com assuntos realmente importantes – procrastinando nas redes sociais. Não falo de revolução armada nem passeata. Falo de conversa, bate-papo, diálogo, cutucadas construtivas, contato humano.
Na boa? O Orkut é tratado pela turma do Danoninho como um ambiente de segunda classe, inferior. Porém lá era possível criar ambientes de discussão sem sermos atropelados pelos revolucionários de iPad, loucos para criticar a classe C.
Hoje conheci um senhor de 82 anos que vendia peças talhadas em madeira reciclada. Ele não sabe o que é iPad, Twitter, smartphone e muito menos ouviu falar em Mark Zuckerberg. Ele está errado? Não, nós é que estamos nos tornando chatos. Só sabemos conversar sobre um assunto, em linha reta, como uma locomotiva, com dados e cifras colossais sobre as últimas tendências do mercado digital.
Desliguem o tablet, folks. Deliguem seus respectivos smartphones e notebooks. Parem de falar em redes sociais e façam redes sociais. Façam um favor para a geração Y: deliguem a internet. Saiam de casa. Conversem com amigos, conheçam quem trabalha de maneira off-line, no mundo off-line e para pessoas do off-line. Mídia social não é profissão, é ferramenta. Não deixem que elas sufoquem seus pensamentos e anseios, chegando ao ponto de não terem o prazer de conhecer um senhor de 82 anos que vende peças talhadas em madeira reciclada.
Nada substitui o olho no olho. Qual foi a última vez que você sentou com sua família para uma conversa descontraída? Qual foi a última vez que encheu a cara e ligou para a ex-namorada? Quando foi que você sentou com um professor, um amigo ou mesmo com o seu avô para debater velhas questões que insistem em permanecer nesse mundo altamente conectado? Não faça parte da turma do Danoninho. A originalidade constrói personalidade. E de avatares e sentimentos artificias nossas vidas já estão cheias. Nesse começo de ano peçam de presente um pouco de consciência e rebeldia. O resto é consequência.
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