Infográfico sobre o mês que mudou (e está mudando) os rumos do Brasil

Padrão

Um grande movimento se instalou e o que parecia mais uma manifestação estudantil na luta pelo transporte público gratuito e de qualidade, se transformou naquilo que pode mudar os rumos da política brasileira daqui para frente. Depois de mais de 2 milhões de brasileiros indo as ruas dos principais centros urbanos do país, o resultado não poderia ter sido melhor – aliás, poderia, mas o avanço já foi muito bem percebido. Seja através de uma discussão sobre uma reforma política mais do que necessária ou até mesmo as recuadas dos governos em aumentar o passe do ônibus, muito das ações utilizadas pelo poder público tiveram uma fomentação da força popular que estampo os principais meios de comunicação do mundo.

Inclusive na internet.  O infográfico abaixo mostra exatamente o resultado destas manifestações do seu cerne principal, a internet.

Anúncios

A revolução compartilhada de uma geração conectada

Padrão

Junho foi o mês que entrou para a história deste país. Tá certo que o mês nem acabou ainda mas já podemos considerá-lo como um dos meses que mais abalaram a consciência cidadã dos brasileiros. E olha que eu nem estou falando do contexto esportivo, com Copa disso e daquilo. Mesmo que o grande evento da FIFA, com inúmeros padrões inquestionáveis, esteja entre os principais alicerces de todo as movimentações vistas até agora. Estou falando, assim como vários blogueiros e de vários canais de comunicação, sobre o “V de Vinagre” do Brasil.

As manifestações que ganharam as ruas do Brasil nestes últimos dias foram o reflexo de uma geração que (esperou bastante, é verdade) saiu de vez para provocar uma mudança. Essa mudança de atitude refletiu em alguns pontos nos quais deverão ser colocados em pauta para as próximas ações: o que, como e por que estamos fazendo isso? É claro, motivo não falta e isso está claro, porém o que de fato fará a energia popular ser revertida em solução? A corrupção? O transporte gratuito? PEC 37? Copa do Mundo e as Olimpíadas? Pois é, tudo isso estava em cartazes engraçadinhos e coloridos nas mais movimentadas avenidas do Brasil. E o resultado? Ainda não tivemos muitos, mas acredito que o principal foi atiçar a consciência política da população de uma vez por todas. Se já foi o suficiente, eu acredito que não. Mas se isso tudo for capaz de jogar cada cidadão na parede antes do próprio colocar o seu voto na urna, aí sim vejo uma revolução.

manifestacao-brasil-junho-cartaz-saopaulo

Uma das grandes máximas desta geração é sua acomodação e o seu formato contemporâneo para dizer que está insatisfeito. Ou seja, o uso das novas tecnologias sociais, como as redes sociais ou até mesmo as próprias tecnologias móveis, de Apple a Palmtop, tudo catalisa a revolta daqueles que antes mal saíam da frente do computador. “Ah, hoje tudo é mais fácil…”, sim, justo. Até porque a facilidade que nos permite chegar a lugares antes inexplorados também nos coloca em xeque diante daquilo que temos a oferecer. Ou seja, se temos tantos informações disponíveis desta forma, a concorrência tende a ser maior e a especialização inevitável. Por mais que o contexto não seja tão romântico assim, é possível identificar a facilidade das conexões coletivas proporcionando incríveis mudanças – seja por um movimento social ou até mesmo um emprego novo.

Através de grandes sites como Facebook, Twitter e Youtube, a população pode incrivelmente ditar as informações diante de suas respectivas realidades. O fato de grandes portais estarem 24h cobrindo as movimentações não nos permitem acreditar no que é publicado de forma 100%. Por isso que pessoas normais, cidadãos deste país publicam e criam sua própria informação, baseada no seu sentimento e na parcialidade de suas próprias convicções.

O Link – Estadao.com.br – publicou uma matéria justamente explicando o poder do conteúdo digital criado através dos interesses daqueles que mais se importam e se identificam com as ferramentas online: o próprio usuário. O fluxo paralelo de informação possibilitou fazer comparações com as versões das autoridades. “Muitos representantes do poder não são atualizados sobre as ferramentas,” disse a jornalista e blogueira Sam Shiraishi, especializada em ativismo social.

Redes-sociais-nos-protestos

Um exemplo foi o vídeo amador que mostra um policial quebrando o vidro de uma viatura, sugerindo tentativa de forjar uma ação de vandalismo. “A violência que se viu na quinta-feira (dia 13) foi em grande parte desmascarada por esses vídeos”, diz o professor Pablo Ortellado, do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da Universidade de São Paulo (USP).

O jornalista Bruno Torturra, da PosTV, diz que a rede veio ocupar um espaço vago. “A gente fez o que se espera que a imprensa faça no mundo conectado das redes.”

O uso das mídias sociais no País tem números grandes e as redes sociais são cada vez mais acessadas na rua, graças ao avanço dos smartphones, que deverão ser 50% dos aparelhos celulares neste ano. De acordo com monitoramento da empresa Scup, publicações sobre os protestos impactaram mais de 136 milhões de pessoas nas redes sociais. Entre 13 e 21 de junho, foram mais de 2 milhões de menções no Facebook, Twitter e YouTube e Google. No mesmo período, a Copa das Confederações teve 214 mil menções. O monitoramento foi feito com base em palavras-chave como #passe livre, #vemprarua e #ogiganteacordou – são as hashtags.

A jornalista Sam Shiraishi ainda vê uma falta de maturidade política nas redes. “Uma rede como o Facebook favorece a confiança no que os amigos falam, na curadoria de conteúdo deles. Passa-se para frente coisas que nem se leu direito.”
Para Iran Giusti, do grupo Mobilizados, criado no Facebook, as ferramentas digitais podem extrapolar o “ativismo de sofá” e unir pessoas em torno de objetivos. “Estávamos nas ruas e a pergunta era como chamar mais gente. Não somos da turma ‘sai do Facebook’. Somos da turma ‘use o Facebook para fazer coisas reais’.”

A revolução está devidamente compartilhada. Da mesma forma que o Iran falou, use o Facebook para fazer coisas reais e explore o poder deste meio de comunicação para reunir grandes exemplos. Exponha suas ações e provoque a discussão de forma inteligente. Compartilhe com os seus contatos e entenda que a sua opinião, além de aceita, pode ser complementada. O resultado disso tudo? Ligue a TV ou acesse a internet para ver com os próprios olhos. O povo tá na rua e o futuro está chegando. Estamos construindo algo novo e as redes sociais são elementos chaves nisso tudo. Vá para as ruas com a consciência do que está fazendo e, se for o caso, publique a foto no Facebook e faça um tweet. Mas nunca, de maneira alguma, seja um soldadinho moldado pelas mídias de massa que vê a ação de pessoas procurando por justiça social como baderneiros que precisam de um tapa na orelha para voltarem ao normal. Já dizia Arnaldo Jabor, “esses revoltosos de classe média não valem sequer R$0,20 centavos” – piadista de massa.