EUA quer acabar com a farra de copiar e colar na rede [@mrebelo71]

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Passou quase despercebida tanto na blogosfera como nas mídias sociais daqui uma iniciativa norte-americana de grande importância para a valorização da boa prática jornalística. Tratou-se do lançamento, no dia (05/01), da NewsRight (www.newsright.com) , uma organização responsável por rastrear o uso não autorizado de conteúdo noticioso protegido por direito autoral na Internet.

Irritadas e cansadas com o uso indevido de suas matérias por blogueiro, sites e agregadores, o New York Times, a Associated Press, o The Washington Post e outras 26 empresas investiram cerca de 30 milhões de dólares na criação da NewsRight. A partir de agora, as notícias produzidas por esses grupos vão contar com um código de rastreamento, cujo objetivo é monitorar o uso comercial não remunerado e depois ir atrás dos infratores para que eles paguem pelo uso não autorizado desse conteúdo.

Foram ao todo três anos de pesquisa e planejamento até o lançamento da NewsRight. Além dos 29 investidores, outras 30 empresas noticiosas participam indiretamente, representando mais de 800 sites de jornais norte-americanos. Segundo o ex-presidente da ABC News e um dos fundadores da NewsRight, David Westin, a intenção é que a companhia auxilie as empresas a combater o plágio e também a receber o direito autoral pelo uso indevido do conteúdo original produzido.

Westin acrescentou que a NewsRight nasceu a partir do mesmo conceito que levou à criação do modelo de cobrança “PayWall” do New York times. Ou seja, o conteúdo noticioso produzido pelos jornais tem um custo e cabe às pessoas pagarem por ele. Ele espera corrigir uma falha existente no modelo atual do negócio noticioso, no qual a conta não está chegando para todos os consumidores.

A iniciativa com certeza será recebida com escárnio e cinismo pelos sonhadores virtuais que há tempos criaram a inescrupulosa utopia de que os “muros de cobrança”, em torno do conteúdo jornalístico, não passam de conceitos de exploração capitalista e que devem ser combatidos a todo custo. Segundo eles, como a internet oferece uma infinidade de canais gratuitos para acessar as notícias, pagar por elas é uma grande heresia e perda de tempo.

Esse pensamento acaba induzindo à confusão, um tanto deliberada, e a pirataria acaba confundindo-se com o jornalismo colaborativo. Muitos blogueiros e sites noticiosos valem-se da técnica de copiar, colar e disseminar, creditando como de sua autoria, aquilo que é produzido com muito sacrifício e elevado custo financeiro nas redações. Isso não é ético: na verdade trata-se de pirataria, um crime passível de punição.

Alguns especialistas em direito autoral já levantaram uma questão interessante, segundo eles, o grande problema é que no mundo virtual todos que escrevem na verdade são autores em potencial. Assim, faz-se urgente diferenciar autor de autoria, pois quando se fala em autoria, refere-se a um conceito de significação jurídica, que pode implicar ou não em direito de cópia e de uso. Isso se aplica claramente no conteúdo produzido pelas empresas jornalísticas.

É um fato indiscutível que a informação jornalística gratuita não passa de um mito, que deve ser combatido, pois a produção de uma notícia, em todas as suas etapas, tem um custo elevadíssimo. Quem já passou por uma redação sabe muito bem disso. Esse assunto foi inclusive tratado de forma bem detalhada no artigo O jornalismo digital e o mito da informação gratuita”.

A criação da NewsRight é uma medida bem vinda e muito justa, pois trata-se de mais uma iniciativa para acabar com a concepção de que o mundo virtual é um território livre onde tudo pode. Além do que, o bom jornalismo agradece.

Por Marcelo Rebelo

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