O calote nos EUA derrubaria a Bovespa?

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Para banco, bolsas de emergentes teriam perdas no curto prazo se o Congresso dos EUA não elevar o teto da dívida, mas investidor deve ver isso como oportunidade de compra.

O Congresso dos Estados Unidos tem pouquíssimo tempo para chegar a um acordo que elevaria o teto da dívida e evitaria o calote de algumas obrigações do governo americano. Até o momento, deputados e senadores não demonstraram se importar muito com os possíveis impactos de uma falta de acordo nos mercados financeiros globais. O calote que antes parecia pouco provável já se transformou em um dos cenários considerados bem possíveis por investidores em todo o mundo.

Para o chefe de pesquisas econômicas do Standard Bank para países do G10, Steven Barrow, a falta de acordo poderia levar a um movimento de fuga de países emergentes no curto prazo. Ações e títulos desses países perderiam valor com o crescimento da aversão ao risco. Portanto, seria hora de ter cautela com esses ativos. Mas o analista não acha que o cenário mais provável seria o de perdas severas. Para o investidor que tem perspectiva de obter retornos no longo prazo, portanto, a desvalorização que seria causada pelas dificuldades americanas representaria uma oportunidade de compra de ações a preços atrativos.

Barrow explica que não acredita que os EUA deixarão de honrar seus compromissos com investidores mesmo que não haja acordo para elevar o teto da dívida. Outros pagamentos que não envolvem os títulos do Tesouro americano é que seriam postergados. A consequência mais imediata do fim do prazo para um acordo no Congresso seria a redução do rating (classificação de risco) americano de “AAA” para “AA”. “A Moody’s é a agência que já deixou mais claro que fará isso”, afirmou ele em teleconferência com investidores.

Mesmo uma decisão como essa não seria o apocalipse para quem investe em bolsa. O mercado de títulos do Tesouro dos EUA soma 10 trilhões de dólares. A maioria desses papéis está nas mãos de bancos centrais de países estrangeiros. A China é o maior credor dos EUA, mas o Brasil, por exemplo, também aplica a maior parte das reservas internacionais em títulos americanos.

Como o governo dos EUA continuará a honrar esses papéis, Barrow acredita que o ajuste dos BCs ao aumento do risco da dívida americana será bastante gradual. Apenas uma pequena parte dessas reservas precisa ser obrigatoriamente investida em títulos com rating “AAA”. Por esse motivo, o analista não acha que a redução do rating será algo dramático para o mercado de renda fixa.

Ele lembra que outros países europeus e o Japão já foram rebaixados nos últimos meses sem que a economia mundial tivesse entrado em uma espiral depressiva. De certa forma, uma avaliação menos positiva das agências só alinharia os EUA com o que está acontecendo no resto dos países desenvolvidos.

É lógico que o problema da dívida americana vai exigir medidas duras no médio e longo prazo. Será necessário elevar impostos e cortar despesas para reverter a trajetória de expansão do endividamento que já começa a criar preocupações mais sérias no mercado. No entanto, Barrow acredita que o risco de “default” (moratória) da dívida é muito maior nos países europeus do que nos EUA. “O governo grego não pode imprimir dinheiro para pagar suas obrigações, ao contrário dos EUA.”

Esse é o motivo que leva o analista a acreditar que os títulos de renda fixa nos EUA ainda são mais atrativos que os europeus neste momento. Por outro lado, se o governo americano imprimir muito dinheiro, há o risco de o dólar perder valor. O analista ainda assim acha que o risco do euro é maior que o do dólar.

Outra possibilidade aventada no mercado nos últimos dias é que o movimento de aversão ao risco que pode surgir se não houver um acordo no Congresso dos EUA leve novamente a uma corrida de investidores para ativos americanos. Por mais estranho que isso possa parecer, foi exatamente o que aconteceu na crise de 2008. Os EUA foram o epicentro daquela crise, mas foi para lá que os investidores correram.

Desta vez, entretanto, Barrow descarta esse movimento. Ele lembra que a crise de 2008 foi desatada pelos bancos americanos – ou seja, pelo setor privado. Os investidores correram naquela época para os títulos públicos dos EUA, que não tinham o risco ligado às hipotecas de segunda linha.

Agora, explica o analista, os investidores não rumariam para os títulos públicos dos EUA porque seriam exatamente esses os papéis mais questionados pelas agências de rating. Barrow acredita que o mais lógico seria os investidores buscarem segurança em moedas como o iene ou o franco suíço.

de Exame.com

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