Economia Solidária

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Texto feito referente a palestra de encerramento da Semana Acadêmica de Economia da FURB – Out/2010.

Durante séculos, a humanidade sempre foi posta a prova por conta de medidas de âmbito macro e amplamente social, diante de decisões baseadas em poucos e questionáveis representantes, através de políticas e posturas em que muitas destas, sacrificaram uma sociedade como um todo até ser necessariamente imposta à mudança. Há uma adaptação
forçada do curso social diante dos interesses dos mínimos que regem a maioria das políticas na sociedade, sendo ela econômica ou social. A Era Moderna foi marcada por diversas alternâncias de modelos até concretizar-se naquela que é dita como unificada e necessária para a sociedade. O capitalismo é dito como o mal necessário por conta das correntes criadas pela forma egoísta e predatória de ser. Mas mesmo assim, mostra-se como o modelo eficaz
para este novo século, por mais que haja várias brechas a serem reformuladas. Com isso, é comum surgirem alternativas em que incluem pessoas que, de certa forma, se sintam diretamente excluídas de todo este processo, inclusive os indiretos, pois a maioria destes que englobam a sociedade da produção em troca de uma remuneração
insignificante, mal sentem o gostinho do retorno pelo tanto que se submetem.

Justamente a essas alternativas, muitas pessoas ditas esquecidas pelo sistema, buscam maneiras sustentáveis e socialmente eficazes de subsistência. A relação de produção, circulação e distribuição dos bens produtivos equivalem a parcelas totais dos esforços da comunidade local em que tudo o que é produzido e ganho nesta região, são mantidos na própria, sem qualquer forma de arbítrio, fazendo a sociedade em si dona da própria produção e retorno. A essa modalidade criada, paralela ao capitalismo que domina grande parte da sociedade, foi compreendida como Economia Solidária.

A economia Solidária é então um movimento social amplo e profundo, cujas raízes históricas se encontram nas ações lutas de organizações de trabalhadores como o cooperativismo e movimentos populares. Rompendo com a lógica do lucro a qualquer custo, na economia solidária o mais importante é a vida. Para tanto, essa economia funciona a partir de empreendimentos onde todo mundo decide em conjunto, cooperando sem hierarquias ou patrões. Ou seja, pratica-se, nessa outra economia, a autogestão, um processo democrático de decisão em que todos são livres e responsáveis pelo que fazem no grupo econômico do qual participam. Com este propósito é possível relacionar alguns princípios da Economia Política com a Economia Solidária partindo do fundamento em que a relação de produção, circulação e distribuição dos bens produzidos, assim como os de produção, são de uso e de posse exclusiva da comunidade que as promove, de forma que o desenvolvimento e os resultados se concentrem na região, tornado  sustentável com características próprias e consolidando um ciclo de subsistência social fortalecido para a população local.

PACHECO,R.O.

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