OS TRUNFOS NACIONAIS

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Seguindo os moldes do post anterior (É A HORA DO BRAZIL)

O Brasil sente a turbulência de maneira diferente, embora nenhum economista de respeito o veja de forma descolada do resto do planeta, num estado de prosperidade nirvânica, acima da crise.

Vários setores da economia nacional se ressentem e são obrigados a fazer ajustes, o que causa demissões e corte de investimentos. “Mas o Brasil oferece um conjunto de benefícios que não se encontra simultaneamente em outros países emergentes”, diz Otto Nogami, professor de ambiente econômico global da escola de negócios Ibmec São Paulo. “Temos bancos sólidos, inflação controlada, moeda relativamente estável, bolsa de valores organizada, governo democrático, grande mercado interno e expectativa de crescimento”, diz Nogami.

Só para comparar: a Rússia torrou mais de US$ 100 milhões de suas reservas e não conseguiu conter a desvalorização de sua moeda, o rublo, símbolo do outrora poder do Kremlin. A China ainda é um país comunista e, caso não contenha os efeitos da crise, pode sofrer distúrbios sociais. A Índia convive com níveis de miséria chocantes até para os padrões de países mais pobres. “As empresas levam tudo isso em consideração”, diz Nogami. “O Brasil ganha respeito como um lugar seguro dentro da tormenta.”

Para usar um termo global, o Brasil está hype – ou em alta, numa tradução livre do termo. Foi-se o tempo em que a vantagem competitiva mais ambicionada pelas multinacionais era a mão de obra barata. Hoje o que as empresas querem é um naco de um mercado portentoso que emergiu com o aumento do poder de compra das classes C e D. Tanto que, no final de março, o Banco Central revisou sua pesquisa com empresas sobre alocação de investimentos diretos estrangeiros na economia brasileira. Constatou que, em resposta à crise, os recursos externos vão privilegiar os setores voltados para o mercado interno, como alimentos e varejo.

Esse interesse das múltis pode ser medido pelo crescente trânsito de presidentes e vice-presidentes no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Há exemplos em diferentes setores.

O espanhol Luis Cantarell, vice-presidente da suíça Nestlé para as Américas, desembarcou em março. Sua agenda incluiu um passeio inusitado. Ele foi conhecer bairros carentes de São Paulo e ver de perto uma alternativa de negócio moldada para as peculiaridades de uma comunidade de recursos escassos. Nesses locais, microdistribuidores da marca abastecem vendedoras autônomas que trabalham pelo sistema de vendas porta a porta. A experiência, única no mundo, poderá ser replicada em outros países. Em 2006, quando foi lançada, restringia-se à capital paulista e contava com dez distribuidores e 800 vendedoras. Hoje há cerca de 140 microdistribuidores e 6 mil vendedoras em várias cidades da região Sudeste do país.

Vender para os mais pobres é um dos pilares da estratégia de crescimento da Nestlé no mundo, em função do avanço das economias emergentes. O mercado brasileiro é considerado pela matriz da empresa suíça uma espécie de laboratório de boas práticas nesse campo. O Norte e o Nordeste, por exemplo, regiões historicamente renegadas no mapa dos grandes negócios, funcionam hoje como eficientes termômetros do segmento de baixa renda.

Em 2004, a Nestlé do Brasil criou uma diretoria para essa porção do país e investiu cerca de R$ 30 milhões em campanhas de marketing. Os resultados superaram as expectativas. Uma fábrica inaugurada em 2007, em Feira de Santana, na Bahia, por exemplo, atingiu o limite de produção em apenas um ano e quatro meses de operação. Nesse momento, recebe R$ 50 milhões em investimento para ser triplicada. Vai empregar mais mil funcionários. “O Brasil será um dos mercados que impulsionarão o crescimento da companhia no futuro”, diz Cantarell.

PACHECO,R.O – Fonte: Época Negocios

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É a hora do Brazil

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Certo, o país não se descolou da crise global. Mas o que faz tantas multinacionais redobrarem suas apostas (e seus investimentos) no mercado brasileiro?

Respondem Wal-Mart, Tyson, Nestlé, DuPont, GM, Monsanto… o Brasil é enxergado como o queridinho do BRIC. Porém têm os riscos que podemos evitar que poderiam ameaçar essa atração. O executivo inglês Miles Young até então nunca se preocupou com o Brasil e no começo deste ano, nosso país foi o primeiro lugar de desembarque. Ele agora é presidente da agência de britânica de publicidade Ogilvy & Mather. Seu roteiro ainda inclui mais 15 países dos 120 onde a Ogilvy mantém escritórios.

A escolha do Brasil como primeira parada foi estratégica. Young acredita que a operação local apresentará neste ano o melhor desempenho entre os integrantes do chamado Bric, grupo de emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China. “O Brasil está numa posição privilegiada nesta crise. E é nesses mercados, onde a economia ainda cresce, que precisamos ajustar nosso faturamento”, diz Young. “É importante, inclusive, aproveitar o momento para rever nosso modelo de negócios na Europa e nos Estados Unidos.”

O Brasil atrai cada vez mais investidores que buscam alternativas aos mercados desenvolvidos, em franca recessão. O economista inglês Jim O’Neill, que criou o termo Bric, acredita que o país tem uma posição privilegiada em relação aos demais emergentes. “O Brasil não apresentou nenhum sinal de crise real”, afirmou O’Neill a Época NEGÓCIOS. “Esta crise deixou claro que países com populações pequenas não têm alternativa de crescimento doméstico. O Brasil não tem esse problema.” 

Vários executivos das maiores companhias do mundo acreditam que a economia brasileira, por estar sofrendo menos os efeitos da crise, tem o poder de aliviar o inverno financeiro que castiga mercados maiores e mais maduros, como os da Europa e dos Estados Unidos. A Alemanha, maior economia da União Europeia, pode encolher 8% neste ano. O Reino Unido está em recessão desde dezembro, algo que não se via desde 1946, ao final da Segunda Guerra Mundial. A expectativa é que a retração será de 2,8% neste ano. Nos Estados Unidos, espera-se uma queda entre 0,5% e 1,3%. A economia japonesa tem resultados negativos desde abril do ano passado, e estima-se que continuará encolhendo no primeiro semestre deste ano. Se confirmada a queda, serão 15 meses em marcha à ré, um dos piores resultados na história.

PACHECO,R.O – Fonte: ÉPOCA Negócios
 

Quanto vale a ambição?

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Até que ponto considera-se a ambição empreendedora como um alto risco?

Quando ouvimos falar de alguém com ambição, logo imaginamos alguém com habilidade em uma função ligada a sorte e/ou competência em uma determinada  gestão ou atividade exercida. Na maioria das vezes é dito como exemplo corporativo a ser seguido. Porém, a ambição também pode estar relacionada ao alto risco

A partir dai podemos dizer que quando falamos em risco, nem toda atividade está relacionada diretamente a risco real. As vezes a produção/atividade pode gerar um risco bem maior do que se imagina.

“Esse é um executivo extremamente ambicioso”. Essa frase, solta, nos remete imediatamente à ideia de alguém que, em algum momento, pode vir a correr riscos excessivos. Por outro lado, a palavra ambição assume outro significado quando ouvimos a expressão “essa pessoa não tem ambição”. De imediato, formamos a imagem de alguém sem energia, sem motivação, pouco afeito à ação, a lutar pelo que quer. Ou uma pessoa simples, que vive no ritmo da natureza, sem reclamar, sem estresse, feliz e com praticamente zero de riscos em sua vida.

Todo risco estaria associado a algum tipo de excesso? Evidentemente, excesso de ambição implica em riscos maiores. Mas, em contrapartida, e se não houver excessos? Faz sentido a noção de “ambição equilibrada”? Equilibrio, nesse contexto, significaria um tipo de ambição que não criasse riscos de qualquer natureza, nem para a própria pessoa nem para os outros.

Até que ponto, em nossas empresas, deveríamos ter, como nossa grande missão, a garantia de alta qualidade de nossos atos coletivos, momento a momento? Até que ponto a melhor estratégia seria aquela em que a empresa como um todo, em tudo que faz, procurasse expressar a melhor versão de si mesma, a mais consciente e evoluída?

Não seria este momento de incertezas e forte transição o tempo ideal para o exercício pleno dessa ambição natural? E não seria esse o único modo de assegurar risco zero para nossas organizações?

Fonte: Época Negócios – Oscar Motomura

PACHECO,R.OP

Oportunidade Sustentável

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Será possível que agora construirão uma economia mais responsável a partir da crise financeira?

Com o fim da crise, é mais fácil olhar para ela como o fim de um ciclo e a retomada da economia como o início de um novo. Há uma grande tendência, e isso se vê em grandes corporações, de que a recuperação da economia será ancorada em bases diferentes.  A Inglaterra já se posiciona frente às questões da responsabilidade corporativa/ambiental e mais Barack Obama referente às energias limpas.

Esse conjunto de novas medidaes pode acarretar um novo modelo econômico sustentável a partir de princípios que atuam em consciliação com o meio ambiente. Têm três características que seriam atuantes daqui para frente nessa nova atuação. A primera é a busca pela baixa emissão de gases do efeito estufa; a segunda é a dissociação entre o desenvolvimento e crescimento; e a terceira é uma mudança profunda de valores. Há uma consciência clara de que o mercado não dá mais contra, ou nunca deu, das dimensões social e ambiental.

Uma empresa diagnostica que existe uma demanda no mercado, mapeia essa demanda, faz o estudo de custo-benefício e coloca o processo produtivo em marcha. A grosso modo, essa é a lógica empresarial. Se as empresas veem que caminhamos para uma economia de baixa emissão de carbono, porque não fazer de acordo com esse princípio? “O melhor da inteligência empresarial não se dá quando a empresa se define pelas tendências do mercado, mas quando se antecipa a elas“.

No Brasil, essa super ‘saldação’ que o governo faz em torno do petrélo/pré-sal pode custar caro agora e mais tarde. Muito se fala do grande reservatório que se tem para daqui 100 anos. A princípio esse tempo é delimitado e os recursos escassos. É bom que não apostemos mais no petróleo, ou talvez não tanto como estamos, coisa que o governo ainda faz.  Se continuar com essa visão, o país vai perder em cinco anos a vantagem competitiva que poderiater nas discussão de uma economia verde.

Vamos ficar restritos às energias de biomassa e do etanol – e perder a corrda das energias solar, eólica e de correntes marítimas. Ainda é tempo. Mas só se nossa próxima gestão for no estilo Obama, algo que radicalize a posição estratégia do Brasil.

PACHECO,R.O.