A nova redução; construa mais e pare de fumar.

Padrão

Menos IPI em carros, caminhões e mais da metade dos produtos destinados a construção civil. Porém não sairá de graça. Tudo cairá sobre o cigarro.

Menos de uma semana depois do anúncio de um pacote habitacional que promete erguer até o fim do mandato, em 2010, cerca de 1 milhão de moradias populares, o governo lança mais um estímulo para frear o desaquecimento nas compras.

Além da redução já conhecida do IPI, tanto dos carros, das motos e caminhões, agora o movimento foi para a construção civil. No embalo do pacote anunciado semana passada, o governo quer incentivar e baratiar ainda mais os custos tanto para o pacote habitacional como para o simples comércio.

A redução dos impostos implicou o aumento em um outro campeão de vendas: o cigarro. Não digo isto porque eu aprecio ou sou a favor deste hábito inaceitável, mas é verdade que essa não será a primeira vez que aumentará o preço do cigarro. E também que o consumo, devido a esse aumento, não diminuiu.

“…o governo aumentará o IPI e o PIS/Cofins para cigarros, o que provocará uma alta de 30% no seu preço.”

Entre os estímulos aos materiais de construção, Guido Mantega – Ministro da Fazenda – citou o cimento, em que o IPI será reduzido de 4% para 0%; o segmento de tintas e vernizes, de 5% para 0%, os revestimentos não-refratário, de 10% para 2% e o chuveiro elétrico.

Segundo Mantega, a medida valerá apenas para os próximos três meses porque, no segundo semestre, “a economia brasileira já terá se recuperado então não vai mais ser necessário”.

Espero que realmente algo seja sentido nessa redução toda, desde na agilidade de construção das moradias do pacote até a redução do consumo de cigarros. Porém sabe como são as coisas no Brasil. Com certeza o preço do cigarro irá aumentar. Mas haverá uma redução significativa, como essa que o governo quer, nos produtos para a construção civil?

selo-ipi

PACHECO,O.R.

Branquelo dos olhos azuis

Padrão

As cotas e os Brancos de Olhos azuis.

Não gosto de deduções simplistas nem de conclusões mecânicas. Mas, como escrevi em notas anteriores, acho difícil deixar de fazer uma conexão entre a política de cotas e o discurso do presidente onde culpou os “brancos de olhos azuis” pela crise mundial.  Quero explicar melhor.

As cotas vão gerar uma mudança no discurso político brasileiro. Na medida em que produzem benefícios exclusivos de uma parcela da população, formalizando uma situação de desigualdade estranha à noção de que todos tem direitos iguais perante a Lei, as cotas ajudam a transformar a cor da pele numa segunda identidade das pessoas, a lhe dar valor explicativo.

Você passa explicar o destino de cada um — e também dos países — em função da cor da pele. Passa a sugerir — como fez Lula ao dizer erradamente não existe banqueiro negro — que a cor da pele pode definir atitudes positivas ou negativas.

Nos EUA, a cor da pele é um elemento central da vida política e da identidade dos cidadãos. Não era assim no Brasil. Talvez se torne assim agora. O discurso do presidente mostra isso.

lula-de-olhos-azuis
Dom, 29/03/09
por Paulo Moreira Leite

O que o Lula não precisaria ter falado.

Padrão

A declaração de Lula sobre brancos de olhos azuis foi uma tentativa de dizer que o mundo não aceita mais ser dirigido de cima para baixo pela elite dos países desenvolvidos.

Essa visão está certíssima. Eu nunca achei que um país, qualquer país, devesse aceitar orientação de fora — mas reconheço que muita gente só aprendeu a lição depois da catástrofe econômica.

Só que o Lula, que é um comunicador superior a quase todos os políticos em atividade no mundo, disse outra coisa. Disse que a culpa pela crise era dos “brancos de olhos azuis.”

Prosseguiu no raciocínio para dizer que não conhece um “banqueiro negro nem índio.” Reafirmou tudo o que disse ao explicar que não fazia ideologia. Ou seja: não só disse o que disse mas se mostrou convencido de que falava a realidade.

Acho que ninguém tem o direito de assumir uma postura paternalista diante de um presidente que é maior de idade, ganhou duas eleições presidenciais, foi vacinado e tem cumprido suas obrigações com o país. Não faz sentido. Lula não precisa de intérpretes.

É  razoável discutir o que ele disse e não o que tentou dizer.

O presidente empregou estereótipos e fantasias de cunho racista para falar sobre a crise. E isso é ruim e errado. Por que?

Em primeiro lugar, porque estereótipos racistas são uma forma de definir uma  pessoa, classificar suas idéias e atitudes a partir de sua herança genética. É uma das atitudes politicamente mais primitivas e nocivas que existe. Impede a discussão de idéias, sufoca o debate sobre valores e alternativas.

Em segundo lugar, não importa se uma boa parte da população européia tem a pele branca e os olhos azuis. O que importa são as decisões de seus governantes, de seus empresários e a atitude de sua população.

Associar cor da pele e desempenho em qualquer atividade é um exercício indevido,  improdutivo, pouco inteligente. Cria ressentimentos, fala a instintos ruins.

E é uma atitude ainda mais lamentável quando parte de um governo que está colocando o debate sobre raças de uma forma como nunca se fez antes, pela criação de cotas nas universidades.

Mesmo quem apoia a política de cotas deve admitir que não é uma boa idéia o presidente da República criticar “brancos de olhos azuis” nessa hora.

Tenho certeza de que algumas pessoas sentiram-se vingadas com essa frase de Lula. Muitos brasileiros sentem-se discriminados, agredidos, desrespeitados. Compreendo esses sentimentos. Sou brasileiro.

Mas acho isso ruim para elas e para o país.

Um presidente deve ser o exemplo.  Deve ensinar. Não foi o que Lula fez.

Sáb, 28/03/09
por Paulo Moreira Leite

Selic cai, mas TJLP fica estável: falta de caixa no BNDES?

Padrão

Agora, quem tiver interesse terá que pagar mais caro por esse dinheiro.

A decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de manter em 6,25% a TJLP pode sinalizar que o caixa do BNDES já está comprometido. Essa é a taxa de juros utilizada para financiamentos de longo prazo, como os de infraestrutura.

Como esses investimentos demoram muito para dar retorno, o governo precisa oferecer taxas de juros mais baixas que as do restante do mercado para estimular o capital privado a entrar no negócio.

Por conta da crise internacional, o BNDES foi obrigado a direcionar recuros para grandes empresas brasileiras, como a Petrobras, por exemplo. Faltou dinheiro lá fora, e as empresas tiveram de se capitalizar aqui dentro.

Medida que parece um contrassenso, já que o governo quer estimular a economia e fazer políticas anticíclias justamente com investimentos em infraestrutura para combater a desaceleração econômica.

bndes-700153

PACHEC,R.O.

PF realiza operação contra crimes financeiros na Camargo Corrêa

Padrão

Entre os crimes investigados, estão evasão de divisas, operação de instituição financeira sem a competente autorização, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e fraude a licitações

A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira uma operação contra crimes financeiros e lavagem de dinheiro na Camargo Corrêa. Para a operação, denominada Castelo de Areia, foram expedidos dez mandados de prisão, que envolvem quatro diretores e duas secretárias do grupo. Além disso, foram expedidos 16 mandados de busca e apreensão. A intenção é desarticular uma quadrilha inserida na construtora Camargo Corrêa, informou a Polícia Federal, em comunicado oficial esta manhã.

Os principais crimes investigados são evasão de divisas, operação de instituição financeira sem a competente autorização, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e fraude a licitações. Somadas, as sentenças por esses crimes podem chegar a 27 anos de prisão.

De acordo com informações da Polícia Federal, a quadrilha movimentava dinheiro sem origem lícita aparente através de empresas de fachada e operações conhecidas como dólar-cabo –sem registro no Banco Central, através de depósito em conta brasileira de doleiros que possuem contas no exterior para transferência ao destino final do dinheiro.

por Época NEGÓCIOS Online